“To face the Blood Angels in battle is to face the unbounded fury of the Primarch Sanguinius himself. To oppose them is to invite your own doom. They fight like madmen, possessed of a bloodthirst wholly unnatural and abhorrent. That something more than fervent faith drives them to their acts of bloodshed is certain”.

 

General Alexandro – XXV Imperial Army.

 

O último lançamento de regras do Warhammer 40K premiou os jogadores de armies Blood Angels, não com um novo Codex como muitos gostariam, mas sim com uma atualização de suas regras publicadas originalmente na revista White Dwarf (números 330 e 331 na edição inglesa e que já pode ser baixado gratuitamente aqui).

Muito embora um novo codex recheado com saboroso fluff e suplementado por uma nova linha de miniaturas fosse ideal o cronograma de lançamento não permitiria o lançamento de regras para os Blood Angels tão cedo, obrigando os jogadores a continuarem fazendo uso do já combalido FAQ Blood Angel e deixando o army defasado em relação aos novos lançamentos GW.

Em sua coluna na White Dwarf Jervis Johnson, a nova cabeça pensante por trás da linha de jogos da GW, reconhece ser algo “extraordinário” a publicação de uma lista de exército (army list) na revista, coisa que há muito tempo não se fazia, ele justifica a mudança dizendo que “algumas vezes vale a pena fazer alguma coisa apenas porque é excitante, uma loucura…”.

Ainda segundo ele, durante a produção do novo Codex Dark Angels surgiu a idéia de, como no passado, publicar juntamente com as regras dos Dark Angels novas regras pra os Blood Angels (na segunda edição do warhammer 40K as regras dos dois chapters foram publicadas em conjunto no “Codex Angels of Death”). Muito embora o conteúdo a ser incluído no Codex Dark Angels impedisse que a idéia fosse a frente no modo originalmente concebido uma semente teria sido plantada, o que culminaria na publicação das regras nas páginas da White Dwarf.

Jervis explica ainda que isso só foi possível em virtude de ambos os capítulos, Dark e Blood Angels, serem basicamente “Codex chapters” com algumas unidades especiais e regras especiais pertinentes a essas unidades. Assim grande parte do trabalho de desenvolvimento das regras já estava pronto tendo sido desenvolvido para o novo Codex Dark Angels restando somente trabalhar nas tais unidades especiais dos Blood Angels como a Death Company; Honor Guard e o Dreadnought Furioso.

Loucura ou não uma atualização nas regras, ainda que nas páginas da revista é uma noticia bem vinda, mas que a meu ver pode decepcionar alguns dos jogadores mais antigos pois a despeito do que afirma Jervis Johnson acredito que os Blood Angels fossem fundamentalmente diferentes de qualquer “codex chapter” sendo definidos por aquilo que os atormenta: A Red Thirst.

“Fluffwise” os Blood Angels são amaldiçoados com uma memória genética da morte de seu Primarca, Sanguinius, conhecida por “Red Thirst” (sede vermelha). Essa falha é resultado do processo pelo qual cada Blood Angel é criado, onde bebendo do Red Grail (Cálice Vermelho) cada um deles é infundido com uma pequena porção do sangue do primarca. É essa pequena quantidade do liquido vital do primarca que faz com que cada Blood Angel lute sempre para manter sua sanidade afastando o perigo da Red Thirst porém nem todos são bem sucedidos e por vezes, antes ou durante a batalha, alguns marines sucumbem à maldição dos blood angels sendo atormentado por visões do passado e da morte de Sanguinius. Esses marines se desconectam da realidade e passam a travar batalhas não com seus inimigos reais, mas sim com os traidores do império à época da Horus Heresy (Heresia de Horus).

Esse background era representado no jogo através das regras “The Black Rage” e “The Death Company” e eram estas as regras que davam ao army blood angel todo o seu “charme” o que foi perdido na nova encarnação das regras.

A regra “Black Rage” aumentava a força e a iniciativa dos Blood Angels quando estes iniciavam um combate corpo a corpo, porém os obrigava a, eventualmente (rolando 1 em 1D6 no começo do turno) realizar um movimento compulsório em direção ao inimigo. Isso representava a necessidade que os Blood angels sentiam de travar combate corpo a corpo (e em certa medida os efeitos adversos da Red Thirst) e tornava o army um tanto “autônomo” da vontade de seu jogador. Grande parte do desafio de se jogar com Blood Angels era fazer os efeitos da Black Rage funcionarem a seu favor.

A segunda regra mencionada, “The Death Company” representava aqueles amrines que sucumbiram à Red Thirst e experimentavam então as visões da morte de Sanguinius. Ela obrigava o jogador Blood Angel a antes da batalha determinar randomicamente se algum de seus marines sucumbiria à maldição da sede vermelha e se esse fosse o caso, os marines que a ela sucumbissem formariam uma nova unidade, justamente a Death Company.

Pois bem o novo set de regras, a “atualização” do Codex Blood Angels acabou tirando dos Blood Angels essas regras. Elas ainda existem, porém foram simplificadas e agora são pertinentes a tão somente uma unidade de elite, a Death Company em sua nova versão e não a todo o army como antes.

Com isso as regras especiais que diferenciavam o capítulo dos Blood Angles como um todo desapareceram sendo substituídas pela costumeira “And They Shall Know no Fear” e pela “Combat Squads” (esta última introduzida com o novo codex Dark Angels). Assim os Blood Angels acabam por se tornar um capitulo comum de Space Marines com algumas unidades únicas o que a meu ver contribui para o sentimendo generalizado de “dumb down” nas regras do 40K.

Porém, nem tudo se resume a más noticias para os jogadores com armies Blood Angels, o “Codex Update” trouxe inúmeras inovações bem vindas merecendo destaque os novos poderes para os Librarians do army, a nova Death Company e os personagens especiais.

Anteriormente os jogadores de Blood Angels que optassem por incluir um Librarian entre suas tropas estavam restritos a escolher um único poder, “Quickening”, que dava ao Librarian ou a um modelo de sua unidade +D3 ataques na fase de assalto. A nova lista de poderes inclui “Might of Heroes” (usado na fase de assalto e equivale ao antigo Quickening); “Transfixing Glaze” (usado na fase de assalto obrigando inimigos em base contact com o Librarian a fazer um teste de liderança sendo que, se não passarem no teste, não podem atacar naquela fase de assalto e são atingidos automaticamente) e “Wings of Sanguinius” (usado na fase de movimento permite que o Librarian se mova como se tivesse um jump pack durante todo o turno – até mesmo aqueles equipados com terminator armor).

A nova e repaginada Death Company tem agora lugar certo em qualquer army Blood Angel. A unidade ganhou as habilidades “Furious Charge” (+1 para iniciativa e força quando cargam); “Feel no Pain” (ignora wound em 4+); “Fearless” (nuca ficam pinned nem dão fall back e passam em qualquer teste de moral) e pra finalizar a nova regra “Black Rage” que dá aos membros da unidade “Rending” pros ataques de close combat (tirando 6 no “to hit” causa wound automático sem direito a save) mas obriga a unidade a se mover em direção à unidade inimiga mais próxima se não houver um capelão acompanhando a unidade ou a 6″ dela. A unidade não é mais formada aleatoriamente antes de cada jogo, ao invés disso certas unidades geram um Death Company marine e você pode comprar marines extras (até o limite de 10) ao custo de 30 pontos por marine.

Os personagens especiais passam a fazer parte da lista de exército podendo ser escolhidos independentemente do aceite do oponente o que faz deles um “must” posto que costumam ser mais vantajosos que suas contrapartes “genéricas” e ajudam a o army Blood Angel a reconquistar certa parcela de seu charme perdido. O mais simples deles, Brother Captain Tycho, custa somente 10 pontos a mais que sua contraparte, um capitão genérico, porém conta com save melhorado e já vem equipado com granadas, bolt pistol, Iron Halo, artificer armor e combi weapon (bolter/melta) além de ter a regra especial “Prefered Enemy: Orks”. Para emular algo semelhante ao Tycho a partir do capitão genérico gastariam-se os mesmos 110 pontos sem a opção de equipá-lo com a artificer armor (tal opção não é elencada entre as opções do personagem) e sem a regra especial “Prefered Enemy: Orks”.

Além das vantagens já mencionadas há que se destacar o monstro em que se transformou o “Lord of Death Mephiston”: Com WS 6; BS 5; S 5; T 5; W 3; I6; A 4; Ld 10; Sv 2+ e a habilidade de usar TODOS os poderes de Librarians Blood Angels, e ainda sua force weapon, no turno de cada jogador por meros 225 pontos ele passa a ser de longe a melhor opção do army para enfrentar os HQs de armies inimigos sem nem suar. De longe o melhor personagem do chapter.

Merecem destaque ainda os Rhinos e Baal Predators com “Over Charged Engines” (esses veículos podem num 4+ mover-se como se fossem fast vehicles estando limitado ao máximo de 18″ de movimento) e o Furioso Dreadnought que pode ser transformado em um “Death Company Dreadnought” (3 + D3 ataques em close combat, possíveis 7 ataques na carga! Deve mover-se na direção do inimigo se não houver um capelão a 6″).

No fim das contas as mudanças experimentadas pelos Blood Angels abrem um novo leque tático para os jogadores. O mais óbvio deles é que unidades de Devastators passam a ser uma escolha viável de heavy support já que não sofrem mais o risco de ter de mover-se compulsoriamente e desperdiçar uma importante fase de tiro. Assim os Blood Angels deixam de ser um army puramente de assalto e passam a ter opções táticas, como um, antes impensável, army focado no poder de fogo.

Assim embora tenham perdido muito de seu “flavour” anterior os Blood Angels ganharam em opções e ombreiam-se agora com os Black Templars e Dark Angels como capítulos “não -genéricos” com regras para a ultima edição do 40K.

No fim das contas não é difícil entender a decisão da Games Workshop em simplificar o jogo tornando-o atrativo para as novas gerações de consumidores do seu produto porém fica o temor de que a onde de simplificação de regras (dumb down) tire do jogo justamente o que tinha de mais atraente, a complexidade de raças que compõe o universo ficcional do jogo e suas multifacetadas versões no campo de batalha transformando um hobby até então prazeroso e recompensador em mera rolagem de dados.

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