De tempos em tempos um novo jogo aporta no universo dos jogos de estratégia com miniaturas. Alguns com grande estardalhaço e gerando grande expectativa, outros chegam devagar, sem muito barulho ocupando seu espaço no mercado. A não muito tempo atrás, sem grande alarde, apareceram no mercado miniaturas para um novo jogo de uma companhia até então desconhecida chamada Privateer Press.

O que chamava minha atenção naquela linha era a semelhança de algumas delas, que eu descobriria depois serem Warjacks, com os golems de batalha de um outro universo ficcional que me era muito querido: Battle Chasers, criado por ninguém menos que o mago dos quadrinhos Joe Madureira e, segundo ele, inspirado nas aventuras de RPG que o mesmo jogava quando jovem.

Instigado pela já mencionada semelhança procurei saber mais sobre aquelas miniaturas e acabei descobrindo que as mesmas eram produzidas pela já mencionada Privateer Press (PP de agora em diante) para um jogo de combate de miniaturas sugestivamente chamado “Warmachine”. A PP descreve o jogo em seu site da seguinte maneira:

“Em Warmachine o próprio chão treme durante as ferrenhas batalhas onde construtos de seis toneladas feitos de ferro temperado e aço colidem com a força destrutiva de uma locomotiva; onde canhões cospem chumbo que penetram placas de armadura tão facilmente quanto homens e onde uma tempestade de magias arcanas ateiam fogo ao campo de batalha de maneira tão apocalíptica que os próprios deuses temem caminhar por solo tão tortuoso” (tradução livre).

Ambientado em um universo de fantasia a vapor, os chamados Iron Kingdoms, o jogo nos coloca no comando de uma das facções que batalham pela supremacia nos reinos. Advirto desde já o leitor para que não se fie em minha visão simplista da ambientação do jogo. Os Reinos são exaustivamente detalhados e tem uma história riquíssima cheia de sabor para aqueles que curtem um bom background para as partidas que disputa.

Cabe lembrar que a PP possui ainda uma linha de RPG chamada Iron Kingdoms, traduzida no Brasil como “Reinos de Ferro” pela Jambô Editora que acreditou no material até então “alternativo” mas muito promissor. Definitivamente uma boa pedida para conhecer um pouco mais sobre o universo ficcional do jogo.

Existem cinco opções de exércitos para o comandante disposto a ingressar nas batalhas de Warmachine:

Cygnar: Os “caras bonzinhos” do jogo. Os Cygnaranos habitam o mais central dos reinos de ferro sendo acossados em todas suas fronteiras por exércitos inimigos. Cygnar possui a mais avançada tecnologia bélica e arcana resultando em uma força taticamente balanceada mas com certa predominância de poder de fogo a distância.

Khador: O reino humano mais ao norte de Immoren é lar dos Khadoranos. Um povo frio como o inverno daquela região e extremamente expansionista que busca reconquistar a terra de seus antepassados que julgam ter sido deslealmente tomada deles. Os Khadoranos não são tão avançados tecnologicamente mas compensam isso com pura força bruta no campo de batalha.

Protetorado de Menoth: Um reino de fanáticos religiosos dissidentes  de Cygnar. O protetorado é a mais nova força a emergir na conturbada arena de poder de Immoren tendo a pouco se desvencilhado de Cygnar e fundado um estado religioso fanático. O protetorado destaca-se por ser o único reino que faz amplo uso de foguetes em batalha deliciando-se em ver os infiéis sendo purificados pelo fogo em batalha.

Cryx: Criados pelo dragão Toruk os desmortos de Cryx atendem a todos os desígnios de seu deus e general. Ambicionando nada mais do que coletar as almas de todos os seres vivos de Immoren os mortos vivos de Cryx são uma força a ser temida em todos os reinos de ferro.

Mercenários: Além dos exércitos já mencionados existem os mercenários. Homens que vendem seus serviços a quem paga mais os estas unidades podem ser utilizadas por qualquer dos exércitos já mencionados ou podem se organizar em exércitos formados exclusivamente por mercenários.

É inegável o apelo de um jogo que contenha tantos elementos de interesse não? Combate visceral, diversas facções, um universo ficcional envolvente, tudo conspirava para o sucesso do Warmachine. Mesmo assim o jogo foi relegado a segundo plano já que na época haviam poucos, ou nenhum, jogadores de Warmachine no Brasil, ainda mais onde mora este escriba, tendo assim me contentado à época em adquirir algumas miniaturas no intuito de ao menos jogar RPG com elas.

“Fast Forward” alguns anos para os tempos atuais. A alguns meses alguns amigos do fórum brasileiro de Warhammer (Warhammer Brasil) descobriram o Warmachine e comentavam acerca do mesmo e de sua jogabilidade.

Assim quando estive no Rio de Janeiro, por intermédio dos amigos da RoninTM, acabei experimentando uma boa partida de Warmachine e posso afirmar de pronto: O jogo é sensacional e uma excelente adição à coleção de qualquer aficionado de jogos de estratégia.

Tendo anunciado bombasticamente que o jogo é bom teço alguns comentários sobre a partida e minhas impressões sobre o jogo:

Para alguém acostumado com outros jogos de estratégia como Warhammer ou o Warhammer 40K, como eu, a primeira coisa que chama a atenção, e na verdade causa até certa estranheza, é a quantidade de miniaturas envolvidas em uma partida. Jogando-se com o mínimo necessário, o conteúdo das caixas básicas de cada exército por exemplo, teremos embates entre cinco miniaturas para cada jogador, dez no total, o que de cara tem como vantagem o fato de propiciar que com o investimento de pouco tempo se tenha miniaturas pintadas e prontas para jogar.

Outra coisa que chama bastante a atenção é a fluidez com que o jogo transcorre. Grande parte desse mérito tem que ser atribuída as regras do jogo que não recorrem a formulas complexas ou nada do gênero. As regras resumem-se a rolar 2D6 (dois dados de seis faces para os não iniciados) e comparar esse resultado com algum atributo. Essa simplicidade permite que o jogo transcorra em um passo agradável, até mesmo para iniciantes, e como conseqüência acarreta partidas mais rápidas.

As batalham envolvem invariavelmente um warcaster (um “mago de batalha” em uma tradução livre) e seus soldados. A peça fundamental no arsenal de qualquer warcaster são os Warjacks, imensos robôs de combate movidos a vapor e especializados em uma única coisa: destruir adversários. Os jacks (como são chamados afetuosamente) são combatentes extraordinários porém a grande habilidade dos mesmos é trabalhar em uníssono com seu warcaster, que pode melhorar a performance em combate dos jacks melhorando a capacidade destes em batalha.

Além dos warcaster e warjacks existem ainda os solos, indivíduos poderosos que como apontam o nome atuam sozinhos e tem a capacidade de virar o jogo se usados com sabedoria em momento oportuno, e as unidades propriamente ditas compostas por soldados “comuns” que agem em conjunto.

Outro diferencial do jogo são os “ataques especiais” dos quais algumas unidades, warjacks em especial, podem lançar mão no decorrer do jogo: chaves de braço e de cabeça, encontrões, arremessos e desmembramento são algumas das opções colocadas a disposição dos generais para que possam fazer o mais divertido do jogo: obliterar o exército inimigo.

Não bastassem a mecânica do jogo e as miniaturas merece destaque ainda o suporte dado pela PP ao seu “filhote”. Do lançamento de novos suplementos e miniaturas ao sistema de campeonato em ligas organizado pela companhia a atenção dada pela PP ao consumidor final de seu produto é irrepreensível e é sem dúvida nenhuma um bônus bem vindo para os amantes do jogo.

Se você se interessou pelo jogo mas ainda esta temeroso em gastar seu suado dinheiro em mais um jogo de bonequinhos a PP disponibiliza gratuitamente para download uma versão resumida das regras as “quickstart rules” (esta versão das regras acompanha cada uma das caixas de facção direcionadas aos iniciantes) assim como alguns cards de demonstração (Demo Cards) que permitem que você experimente o jogo usando algumas peças “substitutas” (peças de ludo, tampinhas de garrafa, qualquer coisa vale na hora do aperto) antes de investir na aquisição de algumas peças.

Devidamente fisgado por este jogo? Deixe seus comentários sobre o mesmo por aqui. Quem sabe nos encontremos em breve nos campos da batalha de Immoren?

Grande abraço e até a próxima pessoal.

Comments
  1. Parabens pelo novo blog ^^

    Ficou muito legal esse texto introdutório ao Warmachine. Quando vier ao Rio de Janeiro novamente vc terá outrs impressões sobre o jogo agora q a Ronin tem muito mais minis e jogamos com partidas maiores com uma media 40 a 60 minis em jogo.

  2. João Carlos (Thyranicus) says:

    Putz Brother!!!! Muito bom esse texto explicando o Jogo….definitivamente vou ingressar no mundo de Immoren (é esse o nome??? rsrsrsrs).

    Ahhhhhhhhh…muito legal esse blog…..parabéns!!!!

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