Hello Reader.

 

This article is the Portuguese version of the board game “Survive: Escape from Atlantis” published here in English. Please do check it out!

 

Over and out!

 

+++

 

Olá Leitor!

 

Eu descuidei e QUASE deixei o mês de fevereiro passar em branco, mas NÃO, eu não vou furar a meta de publicar pelo menos um novo artigo por mês aqui no blog durante 2016 (ok, veremos como isso progride ao longo do ano, mas furar logo no começo ia ser vergonhoso demais).

 

“Ain, que jóia! Sobre o que é o artigo de hoje?” Bom, estou correndo atrás do prejuízo para retomar os artigos sobre pintura e wargames aqui no blog, mas, ao menos por hora, os jogos de tabuleiro são o que mais rola de hobby por aqui, então, pra desespero de alguns leitores, eu tenho uma nova resenha para compartilhar com vocês! Se você já leu o título do artigo, já sabe que a meta pra hoje é sobreviver ao fim do mundo com o jogo “Survive: Fuga de Atlântida”.

Um dos grandes dilemas dos entusiastas de jogos de tabuleiro é como apresentar esse hobby aos amigos “não iniciados”, já que convidar uma pessoa que não está familiarizada com os jogos de tabuleiro para uma partida de “Eldritch Horror”, “A Guerra dos Tronos: Board Game” ou “Twilight Imperium” é uma receita certa para o desastre já que esses são jogos complexos e que frequentemente demandam bastante tempo para serem jogados.

 

É justamente para esses momentos de necessidade que temos os chamados “gateway games” (que podemos traduzir como “jogos de entrada”), jogos frequentemente definidos como simples, com regras fáceis de serem explicadas para novos jogadores, divertidos e rápidos e é nessa função que o “Survive: Fuga de Atlântida” brilha em minha opinião.

 

A caixa da edição nacional do Survive.

 

Ranqueado na 14ª posição entre os 150 melhores jogos introdutórios pelo BoardGameGeek, o Survive apresenta aos seus jogadores uma experiência lúdica fantástica com um jogo ágil, descomplicado e com uma temática interessante. Nele os jogadores estão tentando sobreviver ao colapso da ilha de Atlântida resgatando seus exploradores a medida que ela começa a afundar e tentando fazer com que eles alcancem a segurança em ilhas vizinhas.

 

Parece simples não? Mas nunca é e é ai que começa a diversão. Os jogadores (de dois a quatro deles) iniciam a partida espalhando seus “exploradores” pela ainda intacta ilha (formada por 40 peças hexagonais representando os três tipos de terreno existentes em Atlântida, praias, florestas e montanhas), a partir daí eles se alternam em turnos onde realizam quatro ações possíveis em sequência: jogar uma peça de sua mão (o verso dos terrenos trazem algumas ações favoráveis aos jogadores), mover suas peças representando os “exploradores” (em terra, nadando, ou em barcos); afundar uma das peças da ilha (seguindo a ordem praias, florestas e montanhas) e por fim rolar um dado para controlar criaturas.

 

A ilha é montada pelos jogadores antes do inicio de cada partida e pode ser configurada de várias maneiras.

 

O tabuleiro pronto para o início da partida.

 

O tabuleiro já com os peões dos jogadores e barcos colocados (com menos de quatro jogadores algumas peças de terreno ficam vazias).

 

“Criaturas, uai?” Sim! E essa é uma das partes mais divertidas do jogo. O jogo começa com 5 hidras no tabuleiro e a medida que a ilha afunda novas criaturas, como tubarões e baleias, começam a aparecer (reveladas no verso dos terrenos) e a cada turno, dependendo do que for sorteado no dado, o jogador pode controlar uma dessas criaturas para eliminar os “exploradores” dos adversários. O jogo já seria legal sem esse aspecto, mas ele passa a brilhar a medida que os jogadores passam a se sabotar a cada turno e ai começa o “pega pra capar” para salvar seus bonequinhos.

 

Uma partida de Survive em seus estágios iniciais. Apenas alguns terrenos de praia afundados e poucas criaturas perambulando pela mesa.

 

A mesma partida um pouco mais adiantada. Na esquerda as peças de terreno descartadas a medida que a ilha afunda.

 

A partida termina quando ao afundar um dos terrenos de montanha um dos jogadores revelar o vulcão destruindo o que restar da ilha e sobreviventes em uma grande explosão de lava (imaginária, claro). “Ain! Já sei! Ganha quem salvou mais bonequinhos!” Não! E ai reside outro fator que torna o jogo ainda mais divertido, já que os meeples (peões) do jogo tem valores de pontos diferentes em sua base (variando de 1 a 6) e o vencedor é determinado computando-se o valor combinado dos “exploradores” salvos.

 

A partida termina tão logo o vulcão seja revelado, não importando quantas peças de terreno ainda existam no tabuleiro (uma variante proposta pelas regras sugere continuar o jogo e tratar o vulcão como um redemoinho – que quando revelado destrói todas as peças em hexágonos adjacentes).

 

Booom! Em outra partida o vulcão só apareceu na penúltima peça de montanha.

 

Tudo isso combinado resulta em uma partida cheia de risadas, diversão e alguns momentos tensos quando inevitavelmente seus sobreviventes são devorados por tubarões famintos (invariavelmente ao som imaginário, ou não, do tema principal do filme Tubarão), monstros, ou ainda tem seus barcos estraçalhados por baleias descontroladas.

 

A tensão de passar ao lado de uma das hidras.

 

Nada melhor que destruir um barco repleto de meeples do oponente (nesse ai estavam os bonecos valendo 6, 5 e 4 pontos).

 

A medida que o jogo progride, cair na água é um perigo.

 

Assim, não vai ser surpresa pra você o Survive ter virado um dos jogos favoritos aqui de casa (especialmente se você nos segue no Instagram e no Facebook), com minhas meninas, e até a minha esposa, pedindo para jogar algumas partidas durante os finais de semana e nas noites de jogos que tenho tentado implementar por aqui.

 

“Ah, mas então é um desses jogos chatos de família que eu nunca vou jogar com meus amigos?” Bom, o Survive é sim um jogo excelente para ser jogado com a família mas ele também é FANTÁSTICO para ser jogado com grupos mais experientes, motivo pelo qual ele sempre vê mesa durante os encontros da turma em Cuiabá.

 

Na verdade eu conheci o Survive pela primeira vez nesse ambiente mais competitivo da turma regular de jogos de tabuleiro e devo admitir que foi uma experiência radicalmente diferente dos jogos em família. Naquela oportunidade jogamos utilizando duas expansões, a primeira delas permitiu a inclusão de um quinto e sexto jogadores enquanto a segunda delas adicionou mais uma espécie de criatura ao jogo: Polvos.

 

Minha primeira partida de Survive. Os semblantes inocentes dos que não sabiam o que os aguardava no jogo.

 

Com esse set-up (que deixa a ilha BEEEM mais cheia) e jogadores acostumados a atraiçoar os coleguinhas na mesa a partida foi memorável, uma verdadeira carnificina, com homens adultos a beira das lágrimas quando seus meeples foram devorados por um tubarão comandado por um amigo, arrancados de barcos por polvos, comidos inteiros por uma hidra, ou ainda vendo seu barco com o meeple de seis pontos sendo abalroado traiçoeiramente por uma baleia. Toda trairagem generalizada dificultou muito o salvamento dos “exploradores” e garantiu aos jogadores uma experiência bem diferente daquela habitualmente vivenciada com o jogo sem expansões.

 

Com componentes extremamente bem feitos e uma arte simples e caprichada o jogo agrada a jogadores de todas as idades (sendo bastante apreciado pelas minhas meninas de 6 e 9 anos) até mesmo porque não é dependente do domínio de língua estrangeira ou mesmo da leitura, e, como eu disse, funciona bem tanto como gateway game para grupos inexperientes como forma de deixar mais fortes os laços de amizade para grupos já iniciados nos jogos de tabuleiro (ou não).

 

A caixa mostrando os componentes e o insert super funcional para organizar as peças.

 

Um fator que pode desagradar a alguns é a dependência da sorte, já que, embora você possa ver os valores de cada meeple ao colocá-los na ilha, após o inicio da partida você não pode mais olhar a pontuação dos seus “exploradores” e é bem fácil esquecer onde você colocou seu bonequinho que vale seis pontos, resultando num final imprevisível até a contagem final dos pontos.

 

Criado e desenvolvido por Julian Courtland-Smith e publicado originalmente em 1982 pela Parker Brothers, o Survive é um clássico que vêm sendo reeditado por diferentes companhias e chegou ao Brasil justamente em sua edição de 30º aniversário, publicado aqui pela Editora Conclave. O jogo se encontra fora de catálogo por aqui, mas com alguma sorte pode ser encontrado em algumas lojas que revendem jogos de tabuleiro por aqui, ou mais facilmente em lojas no exterior onde ele é atualmente produzido pela Stronghold Games.

 

Feita a ressalva sobre a relativa dificuldade de adquiri-lo aqui no Brasil, o “Survive: Fuga de Atlântida” é para mim um jogão e eu não poderia recomendá-lo mais aos leitores aqui do blog. Se você tiver a chance de adicioná-lo à sua coleção, não titubeie, sua família e amigos vão te agradecer.

 

Grande abraço e até breve.

Comments
  1. Caio Viana says:

    Adorei o post, fiquei super afim de comprar o jogo.

    • Gereth says:

      E o mais legal é que ele não é um jogo caro Caio. Ele era vendido por R$ 159,00 quando lançado e consegui comprar o meu por pouco mais que isso num anúncio online.

      Em tempos de grana curta, achei um excelente investimento em diversão.

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