Hello Reader.

 

This article is the Portuguese version of the “Ticket to Ride” review article. You can check the English version here.

 

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“Paiê! Vamos jogar o jogo do trem?”

 

Olá Leitor!

 

Desde que eu abracei o hobby dos jogos de tabuleiro (board games) com um pouco mais de entusiasmo (eu atribuo a culpa ao Thiago Penteado, ao Leonardo Montagna pro caso da minha esposa um dia ler isso aqui), o inevitável passo seguinte foi apresentar esse universo à minha família, que para minha surpresa e, claro, felicidade, agarrou o novo hobby com unhas e dentes.

 

Eu já jogava jogos de tabuleiro ocasionalmente com minha esposa, o “Imagem e Ação” sendo um firme favorito nos encontros com os amigos durante os anos de namoro, e depois o “Scrabble” sendo um grande parceiro quando faltava luz na época conhecida como “os anos de solidão” pela qual passamos juntos, contudo, a nova era dos boards aqui em casa pertence, como tudo que é novo, às minhas filhas.

Como já disse era inevitável. Desde que comecei com os “jogos de tabuleiro modernos” a cabecinha delas na beira da mesa observando o set-up do jogo, ou assistindo às partidas era companhia constante, até que um dia elas perguntaram se poderiam jogar comigo.

 

Jogar com minha filhas? Jogar com minhas filhas! Putz! Eu já tinha pensado nisso,claro, mas achava que era uma possibilidade reservada para o futuro já que elas tem 9 e 6 anos, mas diante do interesse delas o presente me pareceu ser um momento tão bom quanto qualquer outro pra começar a jogatina em família.

 

O primeiro desafio era encontrar jogos cuja temática e complexidade não só agradassem, mas também permitissem que as meninas pudessem se divertir e jogar sozinhas (sem o auxilio de um adulto como parceiro), já que a idéia não era somente agradá-las fazendo um “dumb down” de um jogo qualquer, mas sim tê-las como parceiras de jogatina desde o inicio.

 

Ao ser apresentado ao Survive (sobre o qual já falamos aqui no blog) identifiquei de cara um potencial jogo para as meninas e fui introduzido ao conceito de “gateway game” (jogos de entrada numa tradução livre), jogos que por um motivo ou outro se prestam a introduzir pessoas ao universo dos jogos de tabuleiro, e foi mais ou menos por ai que esbarrei em “Ticket to Ride”.

 

A caixa da versão brasileira do jogo. O selo vermelho no lado direito aponta que o jogo foi o vencedor do “Spiel des Jahres” (Jogo do Ano em alemão) em 2004.

 

Se você procurar por “gateway games” no google vai encontrar diversas listas enumerando bons jogos para iniciar novos adeptos no universo dos jogos de tabuleiro modernos e o “Ticket to Ride” figura na maioria delas (como você pode conferir nessas listas da Board Game Quest, Paste Magazine, Reddit, Dice Tower e do Board Game Geek – onde ele figura em primeiro em uma lista de 150 jogos). Essa recorrência do título em diversas listas fez com que eu me interessasse por ele.

 

Pesquisando um pouco mais percebi que ele seria perfeito para minha necessidade já que o jogo possuía (como todo bom gateway game) mecânicas simples, um tema interessante, a independência da língua (um fator importante no meu caso já que a minha menina mais nova ainda não havia sido alfabetizada) e pra minha surpresa acabava de ganhar uma versão no Brasil pela Galapágos Jogos.

 

Poucas semanas depois o jogo chegava por aqui, e então foi questão de dias até que eu o colocasse na mesa, anunciando, para felicidade das minhas meninas, que naquele dia jogaríamos um jogo novo: O “Jogo do Trem”.

 

O manual do jogo em destaque. A Galápagos Jogos fez um bom trabalho de tradução em sua versão.

 

A arte do tabuleiro chama a atenção ainda na caixa.

 

O insert da caixa com espaço para cada um dos componentes. Um deleite para os olhos.

 

Lançado originalmente em 2004 pela Days of Wonder o “Ticket to Ride” ganhou versões em diversas línguas (além da mencionada versão brasileira pela Galápagos) e amealhou diversos prêmios de jogo do ano em 2004 e 2005, dentre eles o prestigiado “Spiel des Jahres” (jogo do ano) em  2004 na Alemanha, além de diversas resenhas positivas e apaixonadas de jogadores por todo o mundo, e figura hoje na 99ª posição no ranking dos melhores jogos de tabuleiro da BoardGameGeek e em 10º lugar no ranking dos melhores jogos para família do mesmo website.

 

Desde então, na esteira do sucesso do jogo original o “Ticket to Ride” ganhou pelo menos 15 versões e expansões (contando as oficiais e deixando de fora as feitas pelos fãs), uma versão como card game (jogo de cartas) e outras tantas versões eletrônicas. Enquanto versões como “Ticket to Ride: Europa”, “Ticket to Ride: Märklin” e “Ticket to Ride: Nordic Countries” oferecem a experiência completa do jogo com novos mapas, outras versões como “Ticket to Ride: The Heart of Africa”, “Ticket to Ride: India” e “Ticket to Ride: Asia” trazem apenas novos mapas para serem usados em conjunto com os componentes de uma das versões “completas”. Outras expansões como “Alvin & Dexter”, “USA 1910” e “Ticket to Ride: the Dice Expansion” adicionam novos elementos ao jogo principal alterando a experiência original do jogo.

 

Com esse expressivo background de sucesso, prêmios e indicações dos mais variados jogadores, o “Ticket to Ride” não teria como desapontar e realmente entrega uma experiência de jogo robusta. O jogo em si nãopoderia ser mais simples: O tabuleiro mostra um mapa dos Estados Unidos com algumas cidades ligadas por uma malha ferroviária no qual os jogadores competirão entre si para conquistar rotas ligando cidades diferentes.

 

O tabuleiro antes do inicio da partida. Os pontos são marcados na borda do tabuleiro durante o desenrolar do jogo. No lado esquerdo os montes com as cartas de vagão (verso azulado) e bilhetes de destino (verso marrom claro).

 

Para isso, a cada turno os jogadores escolherão executar uma de três ações possíveis: Comprar cartas de vagão, comprar cartas de destino e conquistar rotas no tabuleiro, com o vencedor sendo definido pela contagem de pontos acumulados ao longo da partida.

 

Soou complicado? Não é! Se você reparar bem, as rotas entre as cidades são marcadas por retângulos cinzas ou coloridos, esses retângulos representam a quantidade de vagões necessários para conquistar a rota, e para isso você precisa comprar as cartas de vagões, quando tiver a quantidade apropriada em suas mãos você pode baixá-las na mesa e conquistar a rota, ligando duas cidades com os vagões da sua cor.

 

A rota entre Pittsburg e New York é conquistada pelo jogador amarelo. Ela usou dois carões de vagão verdes para conquistar a rota verde entre as duas cidades.

 

Mas não é tão fácil assim. As rotas marcadas por retângulos cinzas podem ser conquistadas com uma combinação qualquer de cartas de vagão, contudo, as rotas marcadas em cores no mapa necessitam que você tenha em suas mãos o número de cartas de vagão apropriado da mesma cor marcada na rota (com as cartas de locomotiva funcionando com um coringa capaz de substituir um vagão de qualquer cor).

 

Conquistando uma rota de 3 espaços azul, com duas cartas de vagão azul e a locomotiva “coringa”.

 

Conquistou a rota? Você ganha pontos de acordo com o número de vagões que utilizou (mais vagões valem mais pontos). Pontos extras são conferidos ainda ao final da partida pelos bilhetes de destino completados com sucesso pelo jogador ao longo da partida, ao conectar cidades especificas do mapa e determinando assim o vencedor (os pontos de cada bilhete de viagem são deduzidos do total do jogador se ele não obtém sucesso em ligar as duas cidades ali apontadas).

 

Existem várias rotas possíveis ligando algumas cidades. Se o oponente bloqueou uma delas é hora de concentrar esforços para conquistar uma alternativa. Os pontos de bilhete de viagem (ou sua dedução) fazem a diferença no fim da partida.

 

Uma foto do tabuleiro mais ou menos no meio da partida. O jogo termina quando um dos jogadores fica com dois ou menos vagões em uma jogada, com cada um dos jogadores restantes tendo mais um turno antes do computo final dos pontos.

 

O jogo parece simples demais? É ele pode enganar, mas não é. A despeito das mecânicas simples, turnos rápidos e objetivos claros, o jogo oferece complexidade adicional no gerenciamento de recursos (ao decidir quando gastar seus vagões) e metas a curto e longo prazo (ao determinar quais rotas conquistar e de que maneira garantir as rotas em seus bilhetes de viagem). O jogo tem até espaço pra estratégia ao se tentar bloquear as rotas dos oponentes evitando que eles completem seus bilhetes de destino.

 

O tabuleiro ao final da partida. O jogo premia ainda com pontos extras o jogador com a maior rota continua no mapa.

 

Não é por acaso que a frase que inicia este artigo dá inicio às noites de jogos aqui em casa. Minhas meninas, e esposa, amaram o “jogo do trem” e, pra minha surpresa, alegria e uma pontinha de ciúme, já o jogam sozinhas. Desde a noite de estréia, meses atrás, até hoje o “Ticket to Ride” vê mesa com frequência e o ponto alto do jogo por aqui foi quando meus pais (um casal que já passou dos 60 e sem nenhum hábito de jogar jogos de tabuleiro) vieram nos visitar e todos eles se sentaram para uma partida e saíram satisfeitos da mesa ao final. Missão super cumprida no quesito “gateway game”.

 

Não bastassem todos os predicados mencionados até aqui é preciso elogiar ainda o trabalho primoroso da Galápagos Jogos em entregar ao público brasileiro uma versão fantástica do jogo, com excelentes componentes, arte e o manual bem traduzido.

 

Honestamente, eu não poderia estar mais satisfeito com o “Ticket to Ride” e o recomendo tanto para os jogadores iniciantes (onde ele cumpre com maestria o papel de gateway game), mas também para jogadores veteranos do hobby a procura de um bom jogo pra adicionar a coleção, agora se você se encontra na mesma encruzilhada para escolher um jogo para desfrutar com sua família, não perca tempo e adicione urgentemente o Ticket to Ride à sua coleção.

 

Acho que é isso por hora pessoal! Boa jogatina e até a próxima.

Comments
  1. Marcelo Ferrari says:

    Resenha perfeita como sempre. Aqui em casa foi exatamente a mesma coisa. Foi apresentar pra esposa q ela não quer mais parar de jogar. Sempre quer jogar o Trenzinho. Até a sogra jogou e adorou, em duas partidas seguidas madrugada adentro. Dudu fica maravilhado organizando os trenzinhos da mãe. Não vejo a hora dele conseguir jogar com a gente. No meu caso foi o Ticket To ride europe. . São duas novidades: rotas subterrâneas – onde vc não sabe o custo exato em cartas de trens para reivindica-las, de modo que o jogador precisa ter mais cartas na mão daquela cor para garantir. E as estações de trem. Se o oponente bloqueou sua rota, vc pode construi uma estação na cidade para Emprestar a rota do adversário e conseguir chegar ao seu destino. Excelente jogo. Nunca imaginei que iria gostar nem comprar esse jogo. Ainda bem que consegui numa math trade. O jogo me surpreendeu bastante.

    • Gereth says:

      Fala Marcelo!

      Valeu pelo comentário cara. Fico felizão de saber que o jogo tá fazendo sucesso ai também. Fiquei com vontade de experimentar essa sua versão e ver se vale o jogo “repetido” na coleção.

      Abração!

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