Posts Tagged ‘Warhammer Apocalypse’

Salve Leitor.

 

Me lembro que à época em que surgiram os primeiros rumores sobre o futuro lançamento do Apocalypse muitos se perguntavam se esse novo formato de jogar o Warhammer 40.000 não substituiria completamente o então “jogo padrão” de 1500-2000 pontos que disputávamos costumeiramente.

 

Bom hoje posso afirmar que a substituição ou não do formato padrão por aquele apresentado no Apocalypse depende tão somente da vontade dos jogadores. “Dá mais trabalho?” Dá. Um jogo de 3000 pontos ou mais necessita de mais organização que uma partida normal, mas depois de duas partidas posso dizer que o Apocalypse é bem mais divertido.

 

Rolou no fim de semana passado mais uma partida de Apocalypse na “arena local” onde eu e o Luis “Malek The Unbound” Carlos nos enfrentamos com cerca de 4700 (quatro mil e setecentos) pontos de cada lado. O que se segue é um relatório daquela batalha escrito meio que a duas mãos (as considerações do Luis Carlos estão em itálico/negrito).

 

Nos reunimos na sexta feira (dia 20 de junho) a noite para começarmos o jogo. Já havíamos combinado que o Malek traria suas forças combinadas de Necrons e Chaos Space Marines para enfrentar meus Space Marines (Ultramarines e Salamanders).

 

Luís “Malek” Carlos: Bom, a primeira coisa que tenho que falar sobre o jogo é “once you go apocalypse you never go back”. O jogo dá outra dimensão para o 40k, a emoção começa desde o deploy, feito por tempo, até os strategic assets que se pode usar. Realmente não tem comparação. E aprendi muita coisa jogando essa partida, pude ver a máxima “nenhuma estratégia resiste ao encontro com o inimigo”, que não se deve subestimar nenhuma peça na mesa e, acho que o mais importante, em uma partida com tantas armas pesadas como é o apocalypse, nunca afunile suas forças para tentar passar em algum lugar (um demolisher praticamente levou o jogo inteiro pro Estevão).

 

Também gostei muito da sinergia entre Chaos Marines e Necrons, apesar de não ter explorado isso direito, já tenho novos planos e estratégias para um próximo jogo.

 

Outra coisa que gostei muito no jogo foi que finalmente pude ver porque terminators são tão temidos. Eles realmente fizeram seu trabalho nesse jogo. Bom, chega de divagar, e vamos ao Battle Report.

 

Seguimos a risca o roteiro trazido pelo livro (já comentado aqui). Começamos com o Malek colocando os cenários na mesa definindo o lay-out do campo de batalha e definindo onde ficava a terra de ninguém (a trena estendida nas fotos marca a terra de ninguém – 6 polegadas de cada lado da trena). Dadas as limitações combinamos disputar um ou dois turnos ainda na sexta-feira e continuarmos no sábado até as 4 da tarde (eu tinha um evento familiar mais tarde o que impossibilitava que o jogo se alongasse além desse horário).

 

  

 

 

O próximo passo era a escolha de strategic assets. Cada um de nós tinha direito a um (o jogador começa com um número de strategic assets igual ao maior número de jogadores em um dos times) mas como o Malek totalizava mais pontos que eu, tive acesso a mais strategic assets para igualar as coisas (o jogador com menos pontos pode escolher um strategic asset adicional para cada 250 pontos a mais do jogador oponente) totalizando 1 (um) strategic asset pro Malek e 3 (três) pra mim. Escolhi “Flank March” (que permitiria que minhas reservas entrassem em jogo por qualquer das bordas da mesa); “Orbital Bombardment” (um bombardeio orbital a ser utilizado em uma de minhas fases de tiro) e por fim a temida e reverenciada “Vortex Grenade” entregue aos cuidados de ninguém menos que o próprio Marneus Calgar. O Luis optou pela “Blind Barrage” que criaria uma cortina de fumaça que bloqueia as linhas de tiro traçadas através dela.

 

Tudo pronto nos restava o deploy. Apostei que faria meu deploy em 5 minutos contra os 7 apostados pelo Luis. Assim eu faria o deploy primeiro mas em compensação teria o primeiro turno. Optei por colocar poucas unidades em jogo logo no começo. Bem próximos a terra de ninguém foram inseridos os Dreadnoughts e o Warhound enquanto ocupando a infestação Tyranid coloquei minhas tropas e dois razorbacks.

 

 

O Luis Carlos conseguiu colocar bastante coisa na mesa o que de cara me deixou bastante preocupado. Duas unidades de Necron Destroyers, uma unidade de Warriors e Scarabs (malditos scarabs!!!) bem próximos a terra de ninguém, dois demon princes, um feiticeiro do chaos, um predator, uma unidade de thousand sons, uma unidade de chaos bikers, um rhino recheado de khorne berzerkers e o lorde de khorne, um land raider com tropas embarcadas e um defiler. Ainda bem que eu teria o primeiro turno.

 

 

 

Como combinado jogamos o primeiro turno ainda na sexta-feira. Antes da minha fase de movimento o Malek fez uso dde sua vantagem estratégica lançando sua “Blind Barrage” em “no mans land”, bloqueando a linha de visão de praticamente todas as minhas tropas (alguns strategic assets podem ser empregados mesmo no turno inimigo). Pra burlar a “Blind Barrage” comecei o jogo avançando com o Warhound que logo avançou 12” em direção ao centro da mesa e com os Dreadnoughts. Na fase de tiro os Dreadnoughts abriram fogo contra a unidade de chaos bikers matando todos na unidade menos um, o warhound por sua vez abriu fogo contra os destroyers, o feiticeiro do chaos e Deamon Prince dedicado a Khorne, dando um wound nesse ultimo, matando o Sorcerer e três dos quatro destoyers com o canhão de plasma. O Vulcan “Mega Bolter” derrubou seis necrons. Por fim a decisão da qual me arrependeria… o Warhound assaltou os scarabs e warriors matando um dos warriors e causando um wound em uma das scarab bases. E esse seria o fim da sua atuação.

 

Foto mostrando a Blind Barrage ( a trena estendida):

 

 

 

Em seu turno a “Liga malvados do Cabuçu” avançou em massa em direção aos inimigos. O rhino recheado de Khornitas sedentos de sangue avançou 12” em direção aos Space Marines assim como o Land Raider. O Dreadnought do Chaos e o Chaos Biker remanescente avançaram contra os Dreadnoughts dos Marines. O Destoyer remanescente do ataque do Warhound continuou fugindo em direção à borda da mesa. A fase de tiro do Luis foi bastante simples já que, com exceção do dreadnought do chaos que abriu fogo contra sua contraparte imperial todo o restante da “Liga dos Malvados” sabugou o Warhound infligindo ao mesmo avarias que o impediriam de atirar no turno seguinte e que diminuíram sua capacidade de movimentação. Atuação importante dos Necron Warriors que, para vingar seus irmãos tombados (somente dois não se reergueram), abriram fogo contra o Titan, destruindo o canhão de plasma. Na fase de assalto o Dreadnought do Chaos assaltou o Dread Salamander enquanto o Chaos Biker assaltou o Dread Ultramarine. O Warhound foi assaltado pelos Scarabs e por um dos demon princes. Nos combates subseqüentes o Dread Ultramarine matou o chaos biker, o Dread Salamander perdeu o Assault Cannon e em contrapartida imobilizou e destruiu o braço de combate corpo a corpo do Dreadnought do Chaos. E para meu desespero, após um dano estrutural causado pelo Deamon Prince, o Warhound foi abatido pelos Scarabs… Sim, você leu certo. Os scarabs mataram o Warhound. Sem comentários.

 

 

 

 

 

Como já estava um pouco tarde decidimos parar por ali e continuar no dia seguinte. Assim o Luis foi pra casa exultante por ter abatido um Warhound Titan com meros scarabs necrons e eu fui resignado enfrentar pesadelos com aranhazinhas metálicas arrasando meu instrumento de destruição em massa.

 

Continua…

 

 

Salve Leitor.

 

Alguns amigos tem me perguntado acerca da expansão lançada recentemente pela Games Workshop para jogos em larga escala: Apocalypse.

 

Embora as perguntas sejam as mais diversas possíveis dá pra resumir da seguinte maneira: “Apocalypse é legal?”. Minha respota tem invariavelmente sido: “É claro que sim”.

 

Como tenho dito o livro Apocalypse nada mais é que uma grande missão. “Mas um livro inteiro só pra descrever uma missão?” você pode estar se perguntando. Sim tinha que ser um livro inteiro porque o conteúdo introduzido com essa missão é absurdo.

 

A missão introduzida pelo livro é chamada, com propriedade, “Apocalypse Mission”, e ocupa meras 8 páginas do livro onde são detalhadas todas as etapas necessárias para jogar uma partida, mas falaremos mais disso em breve.

 

O grande atrativo de uma partida de Apocalypse é dar ao jogador a oportunidade de, sem estar amarrado pelo “Force Organization Chart” das missões normais, poder utilizar grande parte, ou mesmo toda, de sua coleção de miniaturas em uma partida pagando tão somente o custo em pontos das mesmas para incluí-las em um army. Isso significa que você poderia, se quisesse e tivesse os modelos para isso, disputar uma partida de Apocalypse usando tão somente HQs (imagine 20, 30 comandantes marines, chaplains e librarians enfrentando uma horda de inimigos), Heavy Supports (uma companhia de tanques sem infantaria) ou o que quer que dê na telha. As possibilidades são ilimitadas.

 

Justamente para permitir que se incluam o maior número de miniaturas possível é que se ampliou, ou melhor, limitou o número de pontos para partidas de Apocalypse. O MINIMO para uma partida de Apocalypse seriam 3000 (três mil pontos) pra cada lado/jogador. Consigo ouvir alguém gritando: “Mas eu não tenho tudo isso de pontos em miniaturas!!”. Simples já que você pode usar miniaturas de diversos codexes/raças combinadas em um só army nessas partidas, desde que exista uma razão plausível para essas forças estarem aliadas. “Mas eu só tenho um army!” grita mais alguém. Nesse caso a solução é ainda mais interessante já que você e um amigo podem combinar suas forças para enfrentar outro oponente (ou mais de um se ele também não tiver miniaturas suficientes).

 

Entendendo essas duas considerações básicas a respeito da seleção de forças para uma partida de Apocalypse você já está pronto para experimentar uma partida. Como disse antes o livro devota 8 páginas para a “Apocalypse Mission” detalhando os passos a serem seguidos na preparação da batalha. Eles são 9 :

 

1 – Escolha seu exército: Aplica-se aqui tudo que já mencionei anteriormente acerca da não aplicação do “Force Organization Chart”, do número mínimo de pontos e de como selecionar as forças para compor o army.

 

2 – Escolha os times: Se o jogo tiver mais de dois jogadores eles devem ser divididos em dois times de sorte que ambos os lados contem com, mais ou menos, o mesmo número de pontos.

 

3 – Prepare o campo de batalha: Basicamente colocar terreno como se faz normalmente. Depois decida onde fica a “Terra de Ninguém” (No-man’s land) e escolha os lados para o deploy.

 

4 – Decida pelo limite de tempo: Escolhe-se então a duração do jogo em número de horas.

 

5 – Escolha os Strategic Assets (Vantagens estratégicas): Aqui está outra coisa legal introduzida com o livro. Por agora basta saber que cada lado recebe um número de vantagens estratégicas igual ao maior número de jogadores de um dos lados (por exemplo se 2 jogadores enfrentarão 3 oponentes cada lado ganhará 3 vantagens estratégicas). Além disso o lado com menos pontos recebe uma vantagem estratégica extra para cada 250 pontos de diferença em relação ao lado com mais pontos. Não é permitido que se escolha uma vantagem estratégica mais que uma vez.

 

6 – Deploy – Cada lado tem um tempo fixo para fazer o deploy (escolhido pelos jogadores). Quem escolher o menor tempo começará o jogo e fará o deploy primeiro. Unidades não colocadas na mesa no tempo apontado ficam automaticamente em reserva.

 

7 – Coloque os objetivos na mesa: Diferente de batalhas onde se determina o lado vitorioso com “victory points” (pontos de vitória) na partida de Apocalypse o vencedor é determinado pelo controle dos objetivos. São colocados na mesa 3 objetivos por cada lado, um na sua própria área de deploy, uma na terra de ninguém e outro na área de deploy do inimigo.

 

8 – FIGHT: Auto explicativo não?

 

9 – Determine o lado vitorioso: Ao fim do tempo alocado para a partida o lado que conquistou mais objetivos vence.

 

Simples não? “E o resto do livro?” você pode me perguntar. O restante do livro é devotado a trazer “datasheets” detalhando formações especiais de cada uma das raças do 40K (formações são unidades especiais formadas pelo conjunto de outras unidades da raça) bem como unidades legendárias (legendary unis) de cada uma das raças. “O que são unidades legendárias?” alguém pergunta. Bem unidades legendárias são outro grande atrativo das partidas de apocalypse. Warhounds, Revenants, Tyranid Bio-Titans, Baneblades, Thunderhawks… todas as unidades extremamente poderosas que antes só eram utilizadas em jogos de Epic justamente porque poderiam desbalancear uma partida “normal” de warhammer 40.000 encontraram um lar com o Apocalypse e podem agora ser utilizadas nessas partidas já que pontos não são um problema aqui. “Quão poderosas são essas unidades?” Basta dizer que cada uma dessas unidades tem poder de fogo suficiente pra abater um army “normal” de 40K praticamente sozinho. Mais datasheets com formações e unidades legendárias podem ser encontradas online aqui.

 

Além das datasheets o livro detalha ainda em 4 páginas as vantagens estratégicas (Strategic Assets) que podem ser escolhidos por cada lado. Essas vantagens estratégicas variam entre vantagens altamente ofensivas, como bombardeios orbitais e “preliminary barrages”, e vantagens de alto valor estratégico como “JAMMERS” que impedem que o inimigo se comunique enquanto faz o deploy e “BUNKERS” para esconder suas tropas.

 

Retornando a pergunta inicial só posso adicionar que uma partida de Apocalypse é extremamente divertida, porém igualmente trabalhosa já que o número de tropas e jogadores envolvidos é bem maior que o habitual. Além disso existem as questões logísticas pertinentes ao jogo como onde jogar, tamanho da mesa, tempo de duração, comes e bebes.

 

Tendo dito isso não é impossível organizar um evento desse uma vez ao mês ou a cada dois meses desde que os envolvidos se dediquem a fazer o jogo dar certo.

 

E já que estamos falando de Apocalypse é hora de revelar um segredo. Já rolou a primeira partida de Apocalypse no Brasil (pelo menos de que eu tenho noticia) mas até hoje não rolou um “Battle Report” decente porque os envolvidos no jogo são mega enrolados. Assim deixo um teaser do que rolou na partida cheia de bizarrices e reviravoltas (Flyers may never assault nor be assaulted- p. 94 Tocha!).

 

“Orbital Bombardment” em curso:

 

   

 Deploy:

 

 

 Assalto Ork:

 

 

 Geral da mesa ao fim do jogo:

 

 

 Até a próxima.